segunda-feira, 28 de abril de 2008

Riscar a sua própria peça

Quem observa e admira a louça do Redondo ficaria agradado com a possibilidade de poder também realizar a sua própria peça cerâmica utilizando essa técnica. Num evento que anuncia a exposição temática dedicada àquela olaria, é exactamente esta actividade que propomos às escolas, com alunos na faixa etária ente os 3 e os 8 anos, numa visita ao Celeiro Comum - Centro de Artes Tradicionais.

O essencial é que as crianças tenham tempo para pensar e elaborar o seu próprio desenho. É por isso que a primeira apresentação se realiza na sala de aula, onde as crianças ouvem a narração de um conto onde as personagens centrais são uma galinha e uma talha, e elaboram os seus primeiros esboços que podem incluir uma pequena frase descritiva, uma data ou o nome do artista.

Numa segunda sessão, já quando da visita ao Celeiro Comum, as crianças aprendem a técnica da “louça” do Redondo que consiste em recobrir a pasta com uma calda de caulino esbranquiçada, sobre o qual se realiza o risco. Na verdade, a decoração é sublinhada por leves sulcos que contornam o desenho das flores, dos animais e das personagens tradicionais do Alentejo, impedindo que as cores esborratem. Muitas vezes os desenhos eram acompanhados por versos ou dizeres populares que também podiam referir-se a uma data importante, como um dia de festa, de aniversário ou casamento.

Evidentemente, só depois da cozedura os nossos pequenos oleiros poderão contemplar as cores brilhantes da sua peça de “olaria falada”.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A Olaria Falada

A Vila do Redondo é um centro oleiro tradicional, e já em 1516, o foral manuelino da vila mencionava uma corporação de oleiros. Como outros centros regionais do período, dedicavam-se ao fabrico de peças na roda para uso doméstico, como panelas, frigideiras, quartas, cântaros, infusas. Hoje, todos conhecemos a “louça do Redondo”, uma criação mais tardia, posterior ainda à fase da expansão das unidades industriais de louça de faiança, criadas no âmbito das políticas pombalinas, na segunda metade do século XVIII. Recorrendo a materiais locais, os oleiros da região desenvolveram uma técnica que, ao recobrir a pasta com uma calda de caulino esbranquiçada, tornavam as peças um produto de qualidade semelhante à faiança. A decoração era sublinhada por leves sulcos que contornam o desenho das flores, dos animais, e das personagens tradicionais do Alentejo e impediam que as cores vibrantes esborratassem. Muitas vezes os desenhos eram acompanhados por versos ou dizeres populares que também podiam referir-se a uma data importante ou um dia de festa, um aniversário ou casamento. São as peças de “olaria falada”.